domingo, 10 de abril de 2016

EU SOU SOCIALISTA, SIM SENHOR! PORQUE NÃO?


Mas, a minha ideologia socialista é legítima e distinta de quaisquer siglas partidárias ou movimento que vise chegar ao Poder pela força violenta e bruta; através de Lobby asqueroso ou tráfico de influência que não seja de exclusivo interesse do Trabalho e do trabalhador como um instituto permanente mundial (1) e de suas instituições legais em recorrente aperfeiçoamento. Além de um trabalho dignificante e saudável jamais podemos nos esquecer da distribuição da renda e bens de forma decente, já que no Brasil é impossível uma família com um casal e dois filhos sobreviverem com menos de 3 (três) SMs ( salários mínimos), hoje por volta de R$ 2.700,00. Um socialismo que se preze não pode deixar de considerar outras condições sociais de acesso aos trabalhadores formalmente empregados e dos em condições de desemprego, já que estes precisam recorrentemente de uma política séria e correta para a sua sobrevivência e absorção, através do aumento e desenvolvimento das atividades primárias, secundárias e terciárias.
Um verdadeiro socialismo, meus caros brasileiros, além de poder ser Cristão e de quaisquer seitas religiosas do bem, não come criancinhas e nem fica invadindo propriedades ou extensas áreas de terras que tenha sido adquirida através de legitima compra ou mesmo que uma aquisição de jazidas de minérios tenha sido por mecanismos políticos escusos, como o foram contraditoriamente no tão decantado modelo nacionalista da Ditadura Militar. Por referirmos a extensas áreas de terras não podemos esquecer que os pequenos agricultores não puderam permanecer no seu “habitat” pela ausência de uma Reforma Agrária séria e correta, dando lugar ao abandono de seus “pequenos quinhões” para a entrega aos grandes latifundiários ávidos de mais terras para formação do “grande agronegócio”.  Quem quiser comprovar essa minha assertiva é só voar baixo como eu o fiz pelo norte do Mato Grosso que vai conferir as grandes áreas de “terras desmatadas e improdutivas”, completamente abandonadas (2 e 3).   
Um socialismo verdadeiro permite e colabora com o maior desenvolvimento de mercado, todavia ele (S) não abre mão da dignidade do trabalhador e de sua melhora como o maior parceiro do Capital. Também apoia um sindicalismo forte e atuante, mas rechaça com veemência o “peleguismo” e a traição aos interesses dos trabalhadores, como soe acontecer em países com a formação moral patronal de baixa qualidade.
O socialismo com quadros partidários de líderes e participantes de alta qualidade entendem que nem tudo pode ser estatizado, mas tão somente as atividades e/ou setores que diz respeito à segurança interna e respeito aos consumidores e usuários de bens e serviços. É o caso, por exemplo, do consumo de água, do regime hidráulico, do uso e aproveitamento dos rios e cursos de água, da energia elétrica, da prospecção de petróleo e sua distribuição, dos minérios, em especial dos raros, como o nióbio, cujas jazidas 98% (noventa e oito) por cento encontra-se no país (4).
O socialismo entende que o Estado deve ser forte, não podendo “ser mínimo” como defendem os aficionados neoliberais capitalistas que viram atônitos o socorro de trilhões de dólares do Estado norte-americano aos bancos e grandes empresas quebrados na crise de 2008, quando se perguntava se aquela “montanha de recursos financeiros” era mesmo “empréstimos impagáveis e/ou estatizações”.
Para não entrar no mérito com profundidade vamos citar apenas algumas das mazelas do capitalismo nos moldes que se pratica em nosso país.
O ajuntamento e acumulo de pessoas nas áreas urbanas das cidades brasileiras e na formação das favelas nada mais são do que a expulsão dos campesinos das áreas rurais pela ausência de uma Reforma Agrária competente e abrangente, já que ela (RA) não é só distribuir e assentar pessoas em áreas rurais. É preciso muito mais, pois um assentado da RA sem assistência técnica, fomento, segurança e escoamento de sua produção não prospera. É preciso também lembrar que as gerações produtos das favelas que não conseguem ter uma vida digna, isto é, sem perspectiva de frequentar uma escola para uma futura formação técnico/profissional, serão fortes candidatas a marginais ociosos em evolução para a bandidagem, tráfico de drogas, latrocínios e outras formas hediondas de crimes como já ocorrem no país.
Ao falar em segmentos das necessidades socais em nosso país vamos começar com a habitação. Jamais um Estado que se preze pode deixar a habitação por conta de um mercado imobiliário voraz e indisciplinado. As cidades brasileiras precisam de uma urgente reforma urbana e “marco regulatório” garantido constitucionalmente através de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional). Com a qualidade e tendências dos componentes de nosso Congresso Nacional pode ser até difícil, todavia não é impossível. Isto acontece porque os poderosos grupos imobiliários açambarcam e estocam as melhores áreas urbanas para as futuras especulações imobiliárias, fazendo com que os preços subam artificialmente. Com isto, sobram aos “cidadãos munícipes” mais fracos apenas as áreas ribeirinhas, vales e encostas de morros que hoje são restritivas em face das chuvas torrenciais, enchentes e deslizamentos de matas e terras. Em alguns países da CE (Comunidade Europeia) o Estado compra algumas disponibilidades de terras para atender a demanda por áreas habitacionais não deixando que o mercado se avilte em face da especulação imobiliária. Lá os habitantes com mais baixo poder aquisitivo possuem junto aos bancos estatais linhas de crédito de menor custo, como poderia ser feita aqui em nosso país com o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) que hoje acumula muitos bilhões de reais (5).
A área tributária precisa de urgente Reforma, já que nunca tivemos uma profunda e abrangente, mas apenas arremedos de forma superficial e seletiva, quando recai sobre as pessoas de menor poder aquisitivo os impostos de consumo (IPI e ICMS) que representam por volta de 70% da Receita Total, ao contrário do que deveria ser, ou seja, as camadas mais privilegiadas da população deveriam responder pelo percentual acima via Imposto de Renda através do qual se tributaria as “grandes fortunas” (6) hoje ainda intocáveis sob a proteção de um Congresso venal e tendencioso. E porque é mais fácil “ressuscitarem a CPMF” (7) do que tributarem as “Grandes Fortunas”? Fácil, responder, não? Primeiro, que quem vai pagar CPMF são as classes sociais médias e média/alta que mais movimentam as “Contas Bancárias” e, segundo, que estas não possuem “lobby” no Congresso para opor constrangimento à sua aprovação. Com as “Grandes Fortunas” sucede o contrário, além de ter outros mecanismos para fugir de seu “fato imponível” (8). A imprensa capitaneada pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) (9) alega que a carga tributária em nosso país é uma das mais altas do mundo. Eu diria que a mesma não é alta, mas se torna nestas condições em face do baixo retorno que o Estado Brasileiro faz à sociedade. Mas, existem outros complicadores que o fazem o Estado brasileiro ineficaz. O primeiro deles que ela (a carga) é mal distribuída e da alta sonegação, evasão e fraudes. Segundo, como já citei, pagam mais impostos os mais pobres através dos impostos de consumo. Além disso, refuto como altamente errôneo a formula que do IBPT usa para apurar a Carga Tributária, isto é, através da fórmula CT = PIB : TA , em que CT = carga tributária, PIB = produto interno bruto e TA = total da arrecadação. Onde está o erro? Ora, se o PIB do nosso país é irreal em face da alta sonegação, evasão, fraudes contra a Administração Tributária, como podemos aceitar que o resultado da mencionada fórmula esteja correto. Evidente que se o Fisco consegue formalizar, por exemplo, 500 milhões do nosso atual PIB certamente teremos um substancial aumento da arrecadação de tributos.      Uma política fiscal séria e efetiva é o maior instrumento de distribuição de renda e riqueza em face da Justiça que se faz tributando quem mais ganha e acumula riquezas e na cobrança “fazer todos pagarem justa e corretamente para se cobrar menos de cada um”. Pelos escândalos que vemos publicados na “mídia” na área Tributária/Fiscal, tais como, a Operação Publicano no Paraná e a dos Fiscais do ISS em São Paulo, sentimos que a presença do Controle Estatal é precária e não é feito de forma preventiva.
Ninguém de bom senso e que tenha formação religiosa cristã, budista, muçulmana e/ou outras, cujos princípios ensinam a verdade e valores positivos do bem, como o Amor, a Tolerância, a Solidariedade, a Paz etc., possa conceber que se consumam milhões, bilhões e até trilhões em moeda norte-americana (dólares) ou outras quaisquer para o emprego destruidor da Guerra e montagens de aparatos bélicos de alta tecnologia e viagens astronáuticas, sem contar “as crises do modelo” que emprega outro tanto em bilhões e trilhões de dólares, como, p. ex., para salvar mega bancos e empresas de grandes portes, quando deixa milhares e até milhões de pessoas famintas e flageladas na África, no Oriente Médio e na Ásia Menor e em outras regiões do planeta.  Além disso, buscam alta tecnologia na fabricação de veículos e outros aparelhos sofisticados, “mas esquecem” do rastro de destruição do ecossistema, quando poluem rios, matas e o ar com os efluentes, dejetos e a emissão de gases na atmosfera e não gastam bilhões para descobrir vacinas para doenças de alta transmissibilidade como é o caso do vírus da Dengue, Chicungunha e da Zika em que já está atingindo alguns continentes. Que mundo vergonhoso esse nosso, não? O pior de tudo é que já tivemos alguns séculos para refletir desde a vinda profética de Cristo e algumas religiões que dão ênfase ao aperfeiçoamento da espiritualidade, já que a existência do espirito humano é irrefutável!                       
     

(1) Ver OIT http://www.justica.sp.gov.br/StaticFiles/SJDC/ArquivosComuns/ProgramasProjetos/NETP/Relat%C3%B3rio.%20OIT%20no%20Brasil.pdf
(3) http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2011/06/estudo-mostra-terras-mais-concentradas-e-improdutivas-no-brasil
(4) http://sergiorochareporter.com.br/acao-bilionaria-envolve-aecio-e-anastasia-na-exploracao-de-niobio-em-araxa/
(5) http://www.camara.gov.br/internet/comissao/index/mista/orca/ldo/LDO2015/proposta/anexoIV_9.pdf
(6) Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar.
(7) “Fato imponível ou gerador” é o momento em que nasce o “direito da Fazenda” de cobrar o tributo.  
(8) Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF)
(9) https://www.ibpt.com.br/                   

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